A prostatite é a inflamação da glândula prostática — e a condição urológica mais prevalente em homens abaixo dos 50 anos, responsável por aproximadamente 25% das consultas urológicas nessa faixa etária (Nickel et al., 2001). Ao contrário da crença popular de que toda doença da próstata é câncer, a prostatite é na maioria das vezes uma condição inflamatória — e tem tratamento eficaz na maioria dos casos.

Classificação NIH (1999)

CategoriaNomeCaracterísticas
IProstatite bacteriana agudaInfecção bacteriana aguda, febre, emergência
IIProstatite bacteriana crônicaInfecções urinárias recorrentes, culturas positivas
IIIaSDPC inflamatóriaDor ≥3 meses, leucócitos em secreção prostática, sem bactérias
IIIbSDPC não inflamatóriaDor ≥3 meses, sem leucócitos, sem bactérias
IVAssintomáticaAchado histológico sem sintomas

SDPC = Síndrome da Dor Pélvica Crônica

Categoria I: Prostatite Bacteriana Aguda

A mais grave e a mais fácil de tratar — quando diagnosticada e tratada rapidamente.

Sintomas: febre alta (≥38,5°C), calafrios, mal-estar intenso + sintomas urinários (disúria, urgência, frequência, dificuldade de urinar) + dor perineal ou anal. Ao toque retal: próstata quente, aumentada e muito dolorosa.

Atenção: não realizar massagem prostática

Na prostatite bacteriana aguda, a massagem prostática está contraindicada — pode disseminar a infecção e causar bacteremia. O diagnóstico é clínico e pela urocultura.

Tratamento: fluoroquinolonas (ciprofloxacino, levofloxacino) por 4-6 semanas. Casos graves: hospitalização com ceftriaxona IV. Abscesso prostático confirmado por exame de imagem: drenagem cirúrgica.

Complicações sem tratamento: abscesso prostático, urosepse, retenção urinária aguda.

Categoria II: Prostatite Bacteriana Crônica

A causa mais comum de infecções urinárias recorrentes em homens.

O mesmo organismo (geralmente E. coli, Klebsiella, Enterococcus) persiste na próstata entre os episódios, causando recidivas periódicas de ITU.

Diagnóstico: pela “regra dos 4 copos” ou pela cultura de urina do jato médio antes e após massagem prostática. A próstata serve como reservatório bacteriano protegido dos antibióticos pela barreira hematoprostática.

Tratamento: fluoroquinolonas por 6 semanas no mínimo (necessárias para penetrar o tecido prostático). Recidivas podem necessitar de tratamento prolongado ou supressivo.

Categoria III: Síndrome da Dor Pélvica Crônica (SDPC)

A forma mais comum (90% das prostatites) e a mais desafiadora.

Dor pélvica, perineal, peniana ou testicular por mais de 3 meses, sem infecção bacteriana identificada. Pode haver disúria, urgência e disfunção sexual. Impacto na qualidade de vida semelhante ao do infarto agudo do miocárdio segundo estudos de qualidade de vida comparativos.

Fisiopatologia (ainda parcialmente compreendida)

Diversas hipóteses: espasmo muscular do assoalho pélvico, disfunção neurológica central/periférica, inflamação imunomediada, refluxo de urina para ductos prostáticos. A causa provavelmente é multifatorial e varia entre pacientes.

Tratamento multimodal

Não existe tratamento único eficaz para todos. A abordagem fenotípica UPOINT classifica os pacientes por domínios (Urinário, Psicossocial, Dor específica, Infecção, Neurológico, Tension muscular) e personaliza o tratamento:

  • Alfa-bloqueadores (tansulosina, silodosina): reduzem espasmo do colo da bexiga — evidência moderada
  • Anti-inflamatórios: ibuprofen, celecoxib — alívio sintomático
  • Fisioterapia do assoalho pélvico: eficaz especialmente quando há componente de hipertonia muscular (tensão dos músculos pélvicos)
  • Psicoterapia / terapia cognitivo-comportamental: fundamental quando há componente de catastrofização e ansiedade associados
  • Acupuntura: evidência emergente positiva em alguns estudos
  • Antibióticos: tentativa empírica por 4-6 semanas em casos selecionados de SDPC recente

Quando o PSA é afetado pela prostatite

O PSA pode elevar-se drasticamente na prostatite:

TipoElevação típica do PSA
Prostatite bacteriana aguda5-100x o valor basal
Prostatite crônica2-5x o valor basal
SDPC (sem infecção)Pode elevar moderadamente

Recomendação: aguardar 4-6 semanas após resolução de prostatite aguda para coletar PSA de rastreamento. Ignorar este prazo pode gerar alarme falso e levar a biópsia de próstata desnecessária.

Perguntas frequentes

Prostatite aumenta o PSA? Sim, significativamente. Na aguda, pode elevar 10-100 vezes o valor normal. Aguarde 4-6 semanas após resolução para nova coleta de PSA, evitando biópsias desnecessárias.

Quantas categorias de prostatite existem? Quatro: Categoria I (bacteriana aguda), Categoria II (bacteriana crônica), Categoria III (síndrome da dor pélvica crônica, subdividida em IIIa e IIIb) e Categoria IV (assintomática).

A síndrome da dor pélvica crônica tem cura? Não tem cura uniforme. O tratamento é multimodal e individualizado. A maioria dos pacientes melhora com combinação de alfa-bloqueadores, anti-inflamatórios, fisioterapia do assoalho pélvico e suporte psicológico.

Prostatite bacteriana aguda é emergência? Sim, especialmente com febre alta e toxemia. Pode evoluir para abscesso e urosepse. Casos graves necessitam de antibiótico intravenoso hospitalar.