A incontinência urinária — perda involuntária de urina — afeta aproximadamente 17% dos homens acima de 60 anos segundo dados epidemiológicos europeus (EAU), com prevalência que aumenta com a idade. Apesar de comum, é subnotificada: muitos homens não relatam o problema por constrangimento, considerando-o um aspecto inevitável do envelhecimento. A realidade é que, na maioria dos casos, existe tratamento eficaz.
Tipos de incontinência urinária masculina
Incontinência de esforço: perda de urina com aumento da pressão abdominal — ao tossir, espirrar, levantar peso ou praticar exercícios. É a forma mais comum após prostatectomia radical e acontece por enfraquecimento do esfíncter urinário externo.
Incontinência de urgência: perda de urina precedida por urgência súbita e intensa — não dá tempo de chegar ao banheiro. Causada por hiperatividade do músculo detrusor (bexiga hiperativa). Comum em pacientes com HPB, doença neurológica ou após radioterapia pélvica.
Incontinência mista: componentes de esforço e urgência presentes no mesmo paciente.
Incontinência por transbordamento: bexiga hipercheia que vaza continuamente. Causada por obstrução (HPB severa, estreitamento uretral) ou bexiga hipoativa (neuropatia diabética, lesão medular).
Incontinência contínua: perda contínua sem urgência ou esforço. Sugere fístula urinária (pós-cirúrgica ou pós-radioterapia) ou estenose uretral grave.
Causas
Pós-prostatectomia radical: a causa mais comum de incontinência de esforço em homens. A remoção da próstata pode lesar o esfíncter urinário externo ou os nervos que o controlam. Incidência varia de 4-31% dependendo da técnica e da experiência do cirurgião.
HPB e obstrução urinária crônica: a bexiga, ao trabalhar contra a obstrução, torna-se instável e hiperativa — gerando incontinência de urgência.
Radioterapia pélvica: pode lesar o esfíncter e a bexiga — tanto por urgência quanto por esforço.
Doenças neurológicas: esclerose múltipla, doença de Parkinson, AVC, lesão medular e neuropatia diabética podem comprometer o controle urinário.
Investigação
- Diário miccional (3 dias): registrar volume, frequência, episódios de perda, relação com urgência ou esforço — insumo fundamental para o urologista
- Urina tipo 1 + urocultura: descartar infecção
- Urofluxometria + resíduo pós-miccional: avaliar fluxo e esvaziamento
- Ultrassom de vias urinárias
- Urodinâmica: em casos complexos, avalia função vesical e esfincteriana com pressão. Indica a causa da incontinência com precisão.
Tratamento
Conservador (primeira linha)
Reabilitação do assoalho pélvico (fisioterapia): fortalecimento do esfíncter externo por exercícios de contração (Kegel) e biofeedback. Eficácia comprovada especialmente para incontinência de esforço pós-prostatectomia — acelera a recuperação quando iniciada no pré-operatório. Indica-se acompanhamento com fisioterapeuta especializado em uroginecologia/andrologia.
Mudanças comportamentais: reduzir cafeína e álcool (irritantes vesicais), regular ingestão hídrica (não restringir demais), treinamento miccional programado.
Medicamentoso
| Tipo de incontinência | Medicamento | Classe |
|---|---|---|
| Urgência / bexiga hiperativa | Mirabegron | Agonista beta-3 |
| Urgência / bexiga hiperativa | Solifenacina, tolterodina | Antimuscarínico |
| Esforço pós-prostatectomia | Duloxetina (off-label) | IRSN |
Cirúrgico
Indicado quando tratamento conservador e medicamentoso falham após 6-12 meses:
- Sling masculino (faixa de sustentação uretral): procedimento minimamente invasivo para incontinência de esforço leve a moderada. Taxa de sucesso 50-70%.
- Esfíncter urinário artificial (AUS): dispositivo implantado que simula o mecanismo do esfíncter. Padrão-ouro para incontinência de esforço grave, especialmente pós-prostatectomia. Taxa de continência social > 80%.
- Injeções de agente de expansão bulking: para casos selecionados com incontinência leve.
- Toxina botulínica intravesical: para bexiga hiperativa refratária a medicamentos.
Perguntas frequentes
A incontinência urinária masculina tem cura?
Frequentemente sim. Tipos de urgência e esforço leve respondem bem ao tratamento conservador. Incontinência pós-prostatectomia melhora em 12 meses na maioria. Casos graves têm boa resposta cirúrgica — o esfíncter artificial tem > 80% de sucesso.
Os exercícios de Kegel funcionam para homens?
Sim. São eficazes especialmente para incontinência de esforço e recuperação pós-prostatectomia. Iniciar antes da cirurgia de próstata acelera a recuperação.
Incontinência urinária após cirurgia de próstata é permanente?
Na maioria dos casos não. 80-90% dos homens recuperam a continência em 12 meses com reabilitação adequada. Casos persistentes após 12 meses têm opções cirúrgicas eficazes.
Qual medicamento trata a incontinência por urgência?
Antimuscarínicos (solifenacina, tolterodina) e agonistas beta-3 (mirabegron). O mirabegron tem menos efeitos colaterais e é especialmente útil em idosos.