A doença de Peyronie é uma condição benigna mas clinicamente significativa, caracterizada pela formação de placa fibrótica na túnica albugínea do pênis, causando curvatura, dor à ereção e, frequentemente, disfunção erétil. Afeta aproximadamente 3-9% dos homens adultos segundo estudos populacionais (AUA, 2022), com pico de incidência entre os 45 e 65 anos — embora possa ocorrer em homens mais jovens.

O que é a túnica albugínea e por que importa

A túnica albugínea é a camada fibrosa resistente que envolve os corpos cavernosos. Durante a ereção, ela se distende uniformemente, permitindo que o pênis se alongue e endureça sem curvar. Na doença de Peyronie, uma placa de colágeno anormal forma-se em uma região específica — geralmente na face dorsal (superior) ou lateral — e impede que aquela área se expanda normalmente. O resultado é uma curvatura na direção da placa.

Causas e fatores de risco

A hipótese mais aceita é o microtrauma repetido durante a atividade sexual, especialmente em homens com predisposição genética para cicatrização anormal. Em vez de curar normalmente, o tecido forma placa fibrótica.

Fatores de risco associados:

  • Tabagismo e diabetes (dano vascular e fibrose)
  • Hipertensão e hipercolesterolemia
  • Contratura de Dupuytren nas mãos (condição fibrótica similar — presente em 8-39% dos pacientes com Peyronie)
  • Histórico familiar de Peyronie
  • Uso de betabloqueadores (possível associação)

Fases da doença

FaseDuraçãoCaracterísticasTratamento
AtivaPrimeiros 12-18 mesesDor à ereção, curvatura em evolução, nódulo doloroso palpávelTratamento conservador / injeção intralesional
EstávelApós 12-18 mesesDor desaparece, curvatura fixa e estabilizadaAvaliação para cirurgia se indicado

A dor durante a ereção — presente na fase ativa — desaparece na grande maioria dos casos ao atingir a fase estável. A curvatura, por outro lado, persiste.

Diagnóstico

O diagnóstico é clínico — baseado na história e no exame físico:

  1. Anamnese: início dos sintomas, progressão da curvatura, presença de dor, impacto na função sexual e no relacionamento
  2. Exame físico: palpação da placa em flacidez (nem sempre palpável) e avaliação do grau de curvatura
  3. Fotografia documentada pelo paciente (ereção farmacológica ou foto domiciliar): fundamental para quantificar a curvatura (graus) e monitorar evolução
  4. Ultrassom Doppler do pênis com ereção farmacológica: avalia vascularização e pode identificar calcificação da placa. Indicado antes da cirurgia.

Opções de tratamento

Fase ativa (primeiros 12-18 meses)

Colagenase de C. histolyticum (Xiaflex): única terapia não cirúrgica com evidência de nível 1. Injeções intralesionais que quebram o colágeno anormal da placa. Protocolo: 2 injeções com intervalo de 72h, repetidas até 4 ciclos (a cada 6 semanas). Associado a modelagem peniana domiciliar. Reduz a curvatura em média 17-34%.

Verapamil intralesional: bloqueador de canal de cálcio que inibe proliferação fibroblástica. Evidência menos robusta, mas usado como alternativa.

Terapia por ondas de choque extracorpóreas: podem reduzir a dor, mas a evidência para redução de curvatura é limitada (não recomendado pelas principais diretrizes como monoterapia).

Fase estável (após 12-18 meses) — cirurgia

Indicada para curvatura ≥ 30° que impede a penetração ou causa sofrimento significativo, com função erétil adequada (ou corrigível com medicamento):

TécnicaIndicaçãoResultado
Plicatura de NesbitCurvatura < 60°, comprimento suficienteEncurtamento leve do pênis
Enxerto (técnica de Lue)Curvatura > 60° ou em “dobradiça”Preserva comprimento, risco de DE
Prótese penianaDE refratária associadaTrata DE e curvatura simultaneamente

Perguntas frequentes

A curvatura peniana da doença de Peyronie some sozinha? Em cerca de 13% dos casos, há melhora espontânea. Na maioria, a curvatura estabiliza após 12-18 meses sem melhora. O tratamento conservador é tentado na fase ativa; a cirurgia oferece melhores resultados na fase estável.

A doença de Peyronie causa impotência? Disfunção erétil ocorre em 30-80% dos casos — pela deformidade, pela ansiedade ou por comprometimento vascular. Inibidores de PDE5 são frequentemente usados em associação ao tratamento.

Qual é o melhor tratamento para doença de Peyronie? Na fase ativa: injeção de colagenase (Xiaflex) tem evidência nível 1. Na fase estável com curvatura ≥ 30°: cirurgia oferece resultados mais consistentes.

O que causa a doença de Peyronie? Microtrauma repetido durante a relação sexual desencadeia cicatrização anormal na túnica albugínea, formando placa fibrótica. Fatores de risco incluem tabagismo, diabetes, hipertensão e predisposição genética.