A disfunção erétil — dificuldade persistente de obter ou manter ereção suficiente para atividade sexual satisfatória — afeta aproximadamente 50% dos homens entre 40 e 70 anos, segundo o estudo Massachusetts Male Aging Study, um dos maiores estudos epidemiológicos sobre o tema. A prevalência aumenta com a idade, mas não deve ser tratada como consequência inevitável do envelhecimento.
O que causa a disfunção erétil
A ereção é um processo neurovascular complexo que exige: estímulo nervoso adequado, vasos sanguíneos funcionantes, nível hormonal suficiente e ausência de fatores psicológicos bloqueadores.
As causas se dividem em:
Vasculares — as mais comuns em homens acima de 40 anos:
- Aterosclerose (obstrução das artérias penianas)
- Hipertensão arterial não controlada
- Diabetes mellitus (lesão vascular e neurológica)
- Dislipidemia (colesterol elevado)
- Tabagismo (vasoconstrição e dano endotelial)
Hormonais:
- Testosterona baixa (hipogonadismo)
- Hiperprotactinemia
- Distúrbios da tireoide
Neurológicas:
- Diabetes (neuropatia periférica)
- Lesão medular
- Doença de Parkinson, esclerose múltipla
- Sequela de cirurgia pélvica (próstata, reto)
Psicológicas:
- Ansiedade de desempenho
- Depressão
- Conflitos de relacionamento
- Exposição excessiva à pornografia
Medicamentosas:
- Anti-hipertensivos (beta-bloqueadores, tiazídicos)
- Antidepressivos (ISRS)
- Antiandrogênios
- Finasterida (em parcela dos usuários)
A conexão com doenças cardiovasculares
Este é o ponto mais importante: disfunção erétil de causa vascular pode ser o primeiro sinal de doença cardiovascular, antecedendo um infarto em 2 a 5 anos. As artérias do pênis são menores (1-2 mm de diâmetro) do que as coronárias (3-4 mm) — portanto manifestam obstrução aterosclerótica primeiro.
Todo homem com disfunção erétil, especialmente abaixo dos 60 anos, deve ter avaliação cardiovascular completa incluindo pressão arterial, perfil lipídico e glicemia.
Diagnóstico
A investigação inclui:
- Anamnese detalhada: tempo de evolução, tipo de disfunção (ausência total, parcial, apenas com parceiro), ereções noturnas (se presentes, sugere causa psicológica), fatores de risco
- Exame físico: peso, PA, genitália, caracteres sexuais secundários
- Exames laboratoriais: glicemia, hemoglobina glicada, perfil lipídico, TSH, testosterona total matinal, prolactina
Em casos selecionados: Doppler pênis com estímulo de prostaglandina, avaliação psicológica.
Tratamento
Mudança de estilo de vida (sempre indicada)
Exercício físico aeróbico regular (150 min/semana) melhora a função erétil de forma independente — meta-análise de 2018 (Journal of Sexual Medicine) mostrou melhora significativa do IIEF em homens sedentários que passaram a se exercitar. Parar de fumar, controlar peso e diabetes são igualmente relevantes.
Medicamentos orais (inibidores de PDE5)
| Fármaco | Dose habitual | Duração | Observações |
|---|---|---|---|
| Sildenafila | 50-100 mg | 4-6h | Jejum melhora absorção |
| Tadalafila | 10-20 mg (uso episódico) ou 5mg/dia | 36h / contínuo | Pode ser tomada com alimentos; trata HPB |
| Vardenafila | 10-20 mg | 4-5h | — |
| Avanafila | 100-200 mg | 6h | Início mais rápido |
Contraindicação absoluta: uso concomitante de nitratos (nitroglicerina, dinitrato de isossorbida) — risco de hipotensão grave.
Outras opções
- Psicoterapia/terapia sexual: indicada quando há componente psicológico significativo. Eficaz especialmente em jovens com ansiedade de desempenho.
- Injeção intracavernosa (alprostadil): quando inibidores de PDE5 falham. Ereção independente de estimulação.
- Reposição de testosterona: indicada quando há hipogonadismo confirmado. Não funciona como tratamento isolado em normogonadais.
- Prótese peniana: implante cirúrgico para casos refratários. Alta taxa de satisfação (>90%). Considerada tratamento definitivo.
Importante
Não compre sildenafila, tadalafila ou outros medicamentos sem prescrição médica. Além de ser ilegal, existe risco real em homens com problemas cardíacos ou em uso de outros medicamentos incompatíveis.
Quando procurar urologista em Arapongas
Se a dificuldade persiste por mais de 3 meses, impacta sua qualidade de vida ou relacionamento, procure avaliação presencial. O urologista investigará as causas — especialmente as cardiovasculares que muitas vezes ficam ocultas — e indicará o tratamento mais adequado para o seu caso.
Perguntas frequentes
Disfunção erétil tem relação com doenças do coração?
Frequentemente sim. A ereção depende de circulação sanguínea adequada. Disfunção erétil vascular pode preceder um infarto em 2 a 5 anos, pois os vasos penianos são menores. Todo homem com disfunção erétil deve ter avaliação cardiovascular completa.
Disfunção erétil em jovens é normal?
Não é normal, mas é crescentemente frequente — afeta cerca de 25% dos homens abaixo de 40 anos. Em jovens, causas psicológicas são mais comuns, mas causas orgânicas também ocorrem e devem ser investigadas.
Os remédios para disfunção erétil (sildenafila, tadalafila) são seguros?
Sim, quando prescritos por médico. São contraindicados com nitratos (usados para angina). Homens sem doença cardiovascular ativa e sem uso de nitratos podem usar com segurança após avaliação.
Qual a diferença entre sildenafila e tadalafila?
Ambas são inibidores de PDE5 com eficácia similar. A sildenafila age por 4-6 horas (melhor em jejum). A tadalafila tem janela de 36 horas e também trata HPB na dose diária de 5mg. A escolha depende do perfil de uso.
Mudança de estilo de vida realmente melhora a ereção?
Sim. Exercício aeróbico regular, parar de fumar, controle de peso e diabetes melhoram a função erétil de forma independente, comprovada em estudos clínicos. São sempre recomendadas independentemente de outros tratamentos.